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Exposição

"OS ISTEPORÂNEO"

Cacildo e Elbe

07 de abril a 02 de maio de 2008.
Das 14hs as 18hs.

 

"Isteporâneo"

Acabou-se o "moderno", escafedeu-se e ninguém viu, nem avisou. O moderno já é antiguidade. Até o "manezinho" diz: "oi, oi, ió, quem havera de dizer". Também passou pelo (pós). Ah! Pós! Pós-graduação, pós-operatório, pós-moderno. É assim um após o outro.
Entretanto, com a morte do falecido "moderno" e do seu pós, o senhor "contemporâneo", assumiu a eloqüência da magistratura qualificadora da égide temporária. Não deu conta do recado, não teve farinha para tanto pirão, se fez desmilinguir na fraqueza argumentativa. Até enveredou pela filosófica analítica da linguagem, "mofou com a pomba na balaia".O Senhor contemporâneo já não contendo mais a poranduba, nos porões ditosos da arte, elegeu seu pós que respeitosamente está se acabando, quase finado, coitado!
Já contando com o falecimento até, Deus que me perdoe, prematuro e já sofrendo a ameaça, embora virtual, da desclassificação generalizada, material, palpável, surge no cenário artístico o mané. Aliás, dois manezinhos entre conversa e "tal e cosa e lousa", perdidos neste caramanchel de verdes idéias se atreveram nos abismos, entre o fazer poético das lembranças e o nó das emoções. Claro que se verá o epistemológico na razão direta da interpretação, não é só axiológico, é mais para semiótico.


No referido e presente labor escultural surgem convergências e divergências "isteporâneas". O istepô é o manezinho desafeto com os esteriótipos e vocábulos defasados, e afeto ao léxico mnemônico vanguardista.
Juntando isso feito balaio de siri, dá no resgate das emoções passadas do nascimento e dos brinquedos. Dos brinquedos que nascem e do nascer dos não-brinquedos.
O nascimento estampado nos vestígios de uma casa onde, em seu tempo, germinou uma família, lá uma mulher e dela a luz. A luz atemporal. A luz da imagética eterna, proliferada numa árvore genealógica. E há, literalmente, Veracidade e com ela a eterna criança, na lembrança dos gestos e gostos, nas abstrações dos tatos e tetos e no amor maternal nos memoráveis matinais. Mesmo como se vê, numa não-casa.
Os brinquedos que já brincaram e que querem ainda brincar. Quero brincar, dizem eles às crianças que nascem. Nascer e brincar são emoções, são recordações que nascem na madeira que morre. Nascer não é brinquedo e, é sublime, tanto quanto as brincadeiras sérias na materialidade.
A relação é dez. Uma casa repartida em dez cômodos, entre eles, incluindo, os espaços de brincar. Lugares 10! Esparramados pelo chão, entre móveis, entre corpos e lembranças e nos lugares não brinquedos. As paredes são e têm ouvidos, olhos, luzes e emoções.
A relação é dez. Dez brinquedos querendo brincar. Quero brincar, queremos brincar agonizam eles, desprezados pelo tempo que já foi moderno, pelos que, na casa já foram crianças. Que dó! Só o surrealismo parece encafifar os escafandros para as respirações da arte.
Não há intenção incisiva nem insinuadora da negação das cores.

 

O que há é a osmose vivencial do corpo relacionada à incoloração da casa, fundidas no nostálgico ou antigo. É assim, pelo equilíbrio das cores, com a presença do branco, junção de todos os matizes, com seus comprimentos de ondas equilibradas.
Não há tristeza, não queremos que haja. Ah! Às vezes dá! Tem hora que escapa! Afinal as crianças cresceram, é, dá a impressão que se esconderam de novo, agora em corpos adultos. A casa está aí oh! Zelosa, guardando fielmente os não-brinquedos sem nenhum ranço escatológico.
Existe a ilusão da alegria presente nas cores primárias e formadoras do universo policrômico. O conjunto fala do hoje. Fala do sempre. O assoalho, rés do chão, que dá apoio aos calçados vazios ou cheios de pés, também segura as paredes com sua cor terrena cheirando a chão batido.

Aparecem umas mesclas sombrias subtraindo as ondas coloridas. Elas gostam da tristeza, não brincam. Ficam só rondando a casa, como se fossem as bruxas do Franklin Cascaes. Credo em cruz! Ou não? Pode ser as pegadas do lobisomem. Será? Minha Nossa Senhora! Cá para essas bandas essas coisas acontecem. Se for... cai fora istepô! Sai dessa não-casa que não é tua.
Então, esse contexto impregnado de saudades, recordações, lembranças e quiçá, assombrações, deu nascimento ao "isteporâneo".
É uma "isteporaneidade", exatamente porque não extemporâneo. Não o é na forma, não o é no tema. Também não o é na neutralidade das cores da casa, nem na alegria primária dos brinquedos. Casa e brinquedo nascem e morrem, mas antes de fugirem das amarras temporâneas deixam balaios de lágrimas; baleeiras atopetadas de recordações; tipitis cheios de sorrisos de crianças.

Quando nascem, os brinquedos,
rolam no chão, se esparramam.
Filhos, pais com Deus, sem medos,
residem na casa e amam.

Ao Elbe pela não-casa,
ao Cacildo, os não-brinquedos,
Pão por deus pedimos, ledos,
que os anjos nos dêem asas.

Esta casa e este endereço,
fazem brincar os brinquedos.
Pão por deus leve, sem medos,
aos "istepôs", nosso apreço.

Cacildo - Elbe.